Domingo, 25 de Maio de 2008

Acordo ortográfico: tira daqui, coloca ali, e...?


Confesso: ainda não entendi qual é a do Acordo Ortográfico. Se já temos uma baita dificuldade na hora de escrever, sabendo quais são as regras básicas, e agora, como vai ser?

O escritor José Saramago, prêmio Nobel de literatura, quando questionado sobre as mudanças propostas pelo acordo, preferiu não polemizar: "Vou continuar escrevendo do mesmo jeito. Isso agora vai ser com os revisores".

Segundo matéria publicada no Portal de Notícias G1, em 18 de maio, o acordo ortográfico apresenta alguns pontos obscuros e indefinições no texto.

De acordo com o presidente do conselho diretor do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), Godofredo de Oliveira Neto, a próxima etapa da reforma que unifica a escrita do português nos países lusófonos é criar um vocabulário ortográfico oficial que deve acabar com essas indefinições.

Veja o que muda com a reforma (pelo menos os pontos que já foram explicados):

O “K”, o “W” e o “Y” entram no alfabeto, que passa a ser constituído por 26 letras e fica assim: A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z. Acredito que essa inclusão é um dos pontos menos confusos para os brasileiros, que já utilizavam as letras inseridas como se fizessem parte do alfabeto.

O trema, que já era pouco usado, desaparece das palavras em português, como “tranquilo”, e permanece firme e forte apenas nas palavras estrangeiras, como “Müller”.

Não será mais necessário colocar o acento agudo em ditongos abertos “ei” e “oi”. Palavras como “idéia” e “heróico” ficam “ideia” e “heroico”.

O acento circunflexo some de palavras com duplo “o” e duplo “e”. Por exemplo: “vôo” passa a ser “voo”, e “vêem” se transforma em “veem”. Agora pergunto: e o verbo “ter”, no presente, na terceira pessoa do plural? Continua “têm”, ou esse acento cai também e não há mais diferenciação entre “tem” e “têm”?

Desaparece o acento agudo e circunflexo que serve para diferenciar palavras como “pára” (do verbo parar) e “para” (preposição), e “pêlo” (substantivo) e “pelo” (combinação de per + lo).

A ausência do hífen em algumas palavras é um dos pontos mais conflituosos da reforma. Segundo o professor José Carlos de Azeredo, da Comissão de Definição da Política de Ensino, Aprendizagem, Pesquisa e Promoção da Língua Portuguesa (Colip), o que está escrito no acordo é que “o hífen desaparece quando se perde a noção da composição de outras duas palavras”. Entendeu? Não? Nem eu. Pelo visto, nem o professor, que afirmou em seguida que essa descrição é muito subjetiva. De acordo com Azeredo, ainda não está claro se palavras como “girassol” e “passatempo” agregarão o hífen e se “porta-retrato” e “guarda-louça” perderão o sinal gráfico.

Apesar da confusão, a notícia de que Portugal havia aprovado o acordo no último dia 16, foi bem recebida pelo Brasil. A esperança é de que a unificação abra a possibilidade de lutar para que o português se torne uma das línguas oficiais da ONU. Eu, por enquanto, só quero saber como os brasileiros vão se adaptar a essa história... “história” ainda tem acento, né?

Fontes:


Portal de Noticiais G1
http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL472527-5604,00HIFEN+E+NOVO+VILAO+DA+REFORMA+ORTOGRAFICA.html

BBC Brasil
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/05/080516_portugues_reforma_jair_pu.shtml

Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

Por dentro do anexo...

Quem nunca recebeu ou enviou um e-mail com a mensagem “Segue em anexo o arquivo”? Eu já recebi vários. E, não vou negar, já escrevi assim algumas vezes. Mas, afinal, qual é a forma correta de dizer que você está enviando um arquivo anexo à determinada mensagem?

Exatamente essa que acabei de utilizar. De acordo com o professor de língua portuguesa Dílson Catarino, o anexo é o arquivo enviado. E são as informações contidas neste arquivo que estão em anexo ou no anexo. Veja dois exemplos:

Olá, tudo bem? Conforme combinamos, seguem anexos os arquivos com as informações.

ou

Olá, tudo bem? Conforme combinamos, nos anexos, seguem as informações.

Ainda segundo o professor, o grande problema é que os livros de gramática tratam apenas do adjetivo anexo e nada apresentam sobre o substantivo anexo.

Quando anexo estiver na função de adjetivo, deve concordar com o substantivo a que se refere, como por exemplo: “O contrato segue anexo” ou “Enviarei as notas ficais anexas ao documento”. Porém, se anexo for substantivo, poderá ser acompanhado da preposição em. Para simplificar, imagine a seguinte situação: envio a um amigo um pacote com algumas fotos. Dentro do pacote, coloco um envelope com um cartão comemorativo. O envelope é o anexo e o cartão é o que está em anexo, ou seja, no anexo, dentro do anexo.

Fonte:
Blog Dílson Catarino
http://dilsoncatarino.blogspot.com/2007/11/quite-anexo-incluso.html

Quinta-feira, 10 de Abril de 2008

Vítimas reais e irreais do preconceito lingüístico


Lendo uma entrevista do lingüista Marcos Bagno ao site http://www.caminhosdalingua.com/, na qual ele afirma que “...quando se diz que uma pessoa fala ‘errado’ ou fala ‘feio’, o que de fato está se fazendo é transferir para a língua uma série de julgamentos que são, de fato, sociais”, logo me perguntei: eu sou uma preconceituosa lingüística?

Encontrei a reposta no trecho seguinte da entrevista, quando Bagno diz que as pessoas acusadas de “falar errado” são sempre as mais pobres, da zona rural, das grandes periferias urbanas, de baixo poder aquisitivo e os analfabetos.

Na verdade, questiono o grupo com características contrárias: indivíduos que têm ou tiveram acesso à escolarização e cometem equívocos grotescos quando falam ou escrevem, comprometendo a qualidade e, muitas vezes, até o entendimento da mensagem pelo receptor.

Questiono, não julgo. Afinal, como diz o ditado popular, cada um sabe onde seu calo aperta. Não julgo, mas também não me conformo. Enquanto um nicho de menos favorecidos se esforça para aprender, como crianças e adolescentes de zonas rurais que demoram horas para chegar à escola, ou até mesmo como aqueles que não tiveram sequer essa oportunidade e buscaram sozinhos pelo conhecimento, outros não fazem a mínima questão de aplicar o aprendizado que puderam ter.

Portanto, cheguei à conclusão de que não sou uma preconceituosa lingüística. Ainda bem, porque sou contra qualquer tipo de preconceito.

Defender o uso do conhecimento por aqueles que tiveram meios de captá-lo nada tem a ver com excluir ou julgar quem não teve a mesma chance, ou caçoar – erroneamente – de pessoas que usam vocabulários regionais para se comunicar. É só uma das formas de acreditar que esse mundo, que ultimamente está bastante esquisito, ainda tem jeito...

Sexta-feira, 4 de Abril de 2008

O assassinato da Sra. Língua Portuguesa


Pode parecer o título de um livro de Agatha Christie, mas é o resumo do que acontece hoje no Brasil. Tenho a impressão de que os indivíduos não estão nem um pouco preocupados em se comunicar bem, falar e escrever corretamente. Eu já li e ouvi cada barbaridade só neste ano! "A gente estávamos...", “A cituação é a seguinte...”, “Comforme o e-mail”, entre outras atrocidades. No entanto, a que me deixou mais inconformada, foi uma lembrança de casamento confeccionada por uma empresa de eventos. O mimo entregue aos convidados, produzido durante a festa, lembrava uma capa de revista que trazia a foto dos noivos, do respectivo convidado e a manchete: “Em Fim Casados”. Tenha dó! É uma empresa! Como pode? Fiquei revoltada! Se eu fosse a noiva, com certeza falaria para o cidadão responsável pela empresa imprimir tudo de novo.

Não sou nenhuma expert no assunto, mas tento acertar. Assim como, ao mesmo tempo que escrevo este texto, estou preocupada se não há nenhum erro gramatical. E se houver, me apontem, por favor!

Até meus 22 anos, quando me formei em Comunicação Social, eu era bem mais maleável com quem cometia gafes na hora de se comunicar. Eu sempre justificava: “Fulano não teve oportunidade” ou “Cicrano não pôde estudar”. Foi então que conheci um funcionário da universidade que, além de ser muito competente em sua função, se comunicava corretamente e com uma incrível clareza... melhor do que muitos que estudavam para tal. E pasmem: no último ano do curso, descobri que ele nunca tinha freqüentado uma escola na vida! Na infância, não pôde estudar. Quando chegou aqui em São Paulo, precisou trabalhar. Enfim... o perfeito retrato de um Brasil que já estamos acostumados a ver. E, nem por isso, o cara falava “a gente vamos” ou “estarei dando uma aula”, e outros homicídios cometidos com a linguagem.

Desde então, me tornei uma verdadeira meritocrática quando o assunto é se expressar corretamente. Acredito que isso não tenha nada a ver com estudar na escola tal, fazer o curso tal ou outras desculpas. É só uma questão de se policiar, ler, buscar pelo conhecimento.

Conheço muitas pessoas que parecem ter preguiça de aprender a se comunicar de maneira correta. E, coincidentemente, todos esses indivíduos fazem reclamações do tipo: “Ninguém me entende...”. Será que é porque eles nunca explicam direito?