
Confesso: ainda não entendi qual é a do Acordo Ortográfico. Se já temos uma baita dificuldade na hora de escrever, sabendo quais são as regras básicas, e agora, como vai ser?
O escritor José Saramago, prêmio Nobel de literatura, quando questionado sobre as mudanças propostas pelo acordo, preferiu não polemizar: "Vou continuar escrevendo do mesmo jeito. Isso agora vai ser com os revisores".
Segundo matéria publicada no Portal de Notícias G1, em 18 de maio, o acordo ortográfico apresenta alguns pontos obscuros e indefinições no texto.
De acordo com o presidente do conselho diretor do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), Godofredo de Oliveira Neto, a próxima etapa da reforma que unifica a escrita do português nos países lusófonos é criar um vocabulário ortográfico oficial que deve acabar com essas indefinições.
Veja o que muda com a reforma (pelo menos os pontos que já foram explicados):
O “K”, o “W” e o “Y” entram no alfabeto, que passa a ser constituído por 26 letras e fica assim: A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z. Acredito que essa inclusão é um dos pontos menos confusos para os brasileiros, que já utilizavam as letras inseridas como se fizessem parte do alfabeto.
O trema, que já era pouco usado, desaparece das palavras em português, como “tranquilo”, e permanece firme e forte apenas nas palavras estrangeiras, como “Müller”.
Não será mais necessário colocar o acento agudo em ditongos abertos “ei” e “oi”. Palavras como “idéia” e “heróico” ficam “ideia” e “heroico”.
O acento circunflexo some de palavras com duplo “o” e duplo “e”. Por exemplo: “vôo” passa a ser “voo”, e “vêem” se transforma em “veem”. Agora pergunto: e o verbo “ter”, no presente, na terceira pessoa do plural? Continua “têm”, ou esse acento cai também e não há mais diferenciação entre “tem” e “têm”?
Desaparece o acento agudo e circunflexo que serve para diferenciar palavras como “pára” (do verbo parar) e “para” (preposição), e “pêlo” (substantivo) e “pelo” (combinação de per + lo).
A ausência do hífen em algumas palavras é um dos pontos mais conflituosos da reforma. Segundo o professor José Carlos de Azeredo, da Comissão de Definição da Política de Ensino, Aprendizagem, Pesquisa e Promoção da Língua Portuguesa (Colip), o que está escrito no acordo é que “o hífen desaparece quando se perde a noção da composição de outras duas palavras”. Entendeu? Não? Nem eu. Pelo visto, nem o professor, que afirmou em seguida que essa descrição é muito subjetiva. De acordo com Azeredo, ainda não está claro se palavras como “girassol” e “passatempo” agregarão o hífen e se “porta-retrato” e “guarda-louça” perderão o sinal gráfico.
Apesar da confusão, a notícia de que Portugal havia aprovado o acordo no último dia 16, foi bem recebida pelo Brasil. A esperança é de que a unificação abra a possibilidade de lutar para que o português se torne uma das línguas oficiais da ONU. Eu, por enquanto, só quero saber como os brasileiros vão se adaptar a essa história... “história” ainda tem acento, né?
Fontes:
Portal de Noticiais G1
http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL472527-5604,00HIFEN+E+NOVO+VILAO+DA+REFORMA+ORTOGRAFICA.html
BBC Brasil
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/05/080516_portugues_reforma_jair_pu.shtml
